Fraude no crédito consignado: como identificar o golpe

Entenda como criminosos acessam dados de aposentados e pensionistas para realizar contratações irregulares e veja quais medidas tomar para cancelar o débito.

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Você acessa o extrato do seu benefício previdenciário ou folha de pagamento e nota um desconto mensal de algumas centenas de reais que nunca autorizou. Ao tentar entender a origem da cobrança, descobre que foi contratado um empréstimo vultoso em seu nome, com parcelas descontadas diretamente na fonte. Essa situação desesperadora é o indício de uma fraude no crédito consignado, um problema que atinge principalmente aposentados, pensionistas e servidores públicos.

Os criminosos utilizam cópias de documentos obtidas em vazamentos de dados para formalizar contratos fraudulentos junto a bancos e financeiras. A modalidade é extremamente perigosa porque as parcelas são deduzidas automaticamente antes mesmo de o salário cair na conta. Muitas vezes, o valor do empréstimo é depositado na conta da vítima, mas ela é induzida a transferir essa quantia para os fraudadores sob a justificativa de que se tratava de um erro de sistema ou portabilidade.

Compreender como essa engrenagem opera, as decisões que você precisa tomar e as consequências de cada etapa é a chave para estancar o dano financeiro e buscar a reparação.

A engenharia social e o vazamento de dados de beneficiários

A investida contra o servidor ou aposentado começa com a obtenção de informações cadastrais. Quadrilhas especializadas acessam ou compram pacotes de dados contendo nome completo, CPF, número de benefício, margem consignável disponível e endereço. Com esses dados em mãos, eles conseguem preencher formulários de contratação em bancos digitais ou correspondentes bancários que falham na checagem de identidade.

A fraude no crédito consignado também se apoia na conivência ou falha de processos de correspondentes bancários que recebem comissões por contratos fechados. Eles abordam a vítima por telefone ou aplicativos de mensagens, oferecendo uma falsa renegociação de dívidas.

O golpista convence o aposentado a assinar digitalmente um documento ou tirar uma foto segurando o documento de identidade, que é usada para validar a operação irregular.

O mecanismo do depósito e a falsa devolução

Em muitos casos, para dar um verniz de legalidade à operação, a instituição financeira realiza o depósito do valor do empréstimo diretamente na conta corrente do cidadão. Logo em seguida, a central falsa entra em contato novamente.

Eles alegam que houve um erro operacional e que o dinheiro precisa ser devolvido via PIX para uma conta específica. Se a vítima realizar essa transferência, ela se depara com um prejuízo duplo: fica sem o dinheiro do empréstimo e continua arcando com os descontos mensais compulsórios no contracheque referentes à fraude no crédito consignado.

É fundamental ter em mente que bancos legítimos nunca solicitam a devolução de valores por PIX para contas em nome de terceiros ou CPFs.

Como reconhecer os sinais de alerta

Para evitar ser pego desprevenido, é preciso adotar uma rotina de checagem regular dos seus vencimentos e limites disponíveis.

  • Extrato do INSS ou Siape: Acesse periodicamente o portal Meu INSS ou o sistema de gestão de pessoal para verificar se há novos contratos averbados.
  • Ligações de desconhecidos oferecendo facilidades: Desconfie de contatos insistentes que saibam o valor exato da sua margem consignável ou do seu benefício.
  • Depósitos não reconhecidos: Se um valor inesperado cair na sua conta, não o movimente e não faça transferências de devolução por conta própria. Procure a agência bancária para identificar a origem.
  • Verifique o portal Consumidor.gov: Utilize canais oficiais para registrar reclamações formais contra a instituição financeira que averbou o contrato.

O que fazer para cancelar o contrato indevido

Constatada a irregularidade, a prioridade é notificar formalmente o banco e os órgãos de controle para anular a operação e cessar os descontos. O primeiro passo consiste em registrar um Boletim de Ocorrência, preferencialmente em uma delegacia especializada em crimes digitais ou na delegacia de proteção ao idoso, dependendo do caso.

Em seguida, formalize uma contestação junto à ouvidoria do banco responsável pelo crédito consignado, exigindo a cópia do contrato assinado, a comprovação de transferência dos valores e o cancelamento imediato das parcelas.

A instituição financeira tem o dever de cancelar o contrato e devolver em dobro os valores descontados indevidamente, conforme prevê a legislação de defesa do consumidor, caso fique comprovada a falha na prestação do serviço.

Para se aprofundar em outras ameaças ao seu patrimônio e entender seus direitos, consulte a página de golpes e leia os conteúdos da aba de legislação e direitos do portal.


Perguntas frequentes

O INSS tem responsabilidade sobre a fraude no crédito consignado?

A justiça entende que a responsabilidade primária é da instituição financeira, que falhou ao não comprovar a identidade do contratante. Contudo, o INSS atua como o agente averbador, e registrar a denúncia no canal 135 ou no aplicativo Meu INSS é fundamental para bloquear novas averbações em seu benefício.

O que acontece se eu já gastei o dinheiro depositado por engano?

Caso o dinheiro tenha sido depositado e gasto antes de você perceber a fraude, notifique o banco imediatamente e informe que o valor foi recebido sem a sua autorização. O ideal é manter o montante intocado e solicitar as orientações formais para a devolução à instituição financeira, garantindo que o contrato seja cancelado.

Como correspondentes bancários conseguem meus dados?

Eles obtêm essas informações por meio de vazamentos de dados de servidores públicos ou de órgãos de previdência, ou através do compartilhamento irregular de cadastros entre empresas. Essa comercialização de mailing é uma prática que viola a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Conteúdo verificado pela equipe editorial. Fontes: Banco Central do Brasil, Febraban, Senacon.